Alvenaria estrutural. O que é?

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Alvenaria estrutural. O que é?

 

Por Redação do Fórum da Construção

A alvenaria estrutural é um processo construtivo que pode ser empregado tanto em casas como em edifícios de múltiplos pavimentos. Há dois tipos de alvenaria estrutural: não armada e armada. A primeira emprega como estrutura-suporte paredes de alvenaria sem armação. Os reforços metálicos são colocados apenas em cintas, vergas, contravergas, na amarração entre paredes e nas juntas horizontais com a finalidade de evitar fissuras localizadas.


Já a alvenaria estrutural armada caracteriza-se por ter os vazados verticais dos blocos preenchidos com graute (microconcreto de grande fluidez) envolvendo barras e fios de aço.

A foto abaixo mostra uma típica construção de um prédio, com estrutura reticular em concreto armado. Alvenaria executada no andar inferior, blocos de vedação já colocados no andar imediatamente acima, penúltima laje ainda escorada, preparação de formas da laje superior, tubulação elétrica parcialmente colocada. Estas são etapas sucessivas, a serem complementadas, após a alvenaria de vedação integralizada, pelas instalações sanitárias, de telefonia e outras, em geral exigindo “rasgamento” das alvenarias, seguindo-se as etapas de revestimento, esquadrias e pintura.

Ou seja, cada etapa tem uma inexorável dependência temporal de outra, determinando o prazo final da construção.



O avanço da tecnologia do aço e mais recentemente do concreto, associado ao desenvolvimento dos softwares de cálculo, tem resultado em estruturas cada vez mais esbeltas e, por conseqüência, mais deformáveis. O reflexo disto está na grande quantidade de paredes fissuradas, motivo de grandes preocupações, atualmente, uma vez que muitos continuam usando os mesmos blocos de vedação de antes (a própria norma cerâmica não exige blocos com mais de 1MPa para vedação); e deformações de vigas de L/350 ou mesmo L/500, como sugere a revisão da NBR 6118, podem ser demasiadas para este tipo de alvenaria, sem falar nos esforços de compressão na biela comprimida, face às deformações laterais dos pórticos.

Não somente por isso, mas também por isso, muitas construtoras passaram a adotar uma alvenaria de vedação racionalizada, com emprego de blocos modulares de concreto ou cerâmicos, com vazados na vertical, e só por esta razão mais resistentes, pelos quais passam as tubulações, evitando os “rasgos, muitas vezes indiscriminados e geradores de entulho (junto com as fôrmas vencidas). Isto exige, no entanto, um conhecimento prévio do calculista, para que o mesmo possa “modular” as distâncias entre os elementos estruturais.

Considerado este avanço na nossa tradicional construção, pensemos, talvez quase num raciocínio lógico, na possibilidade de utilizarmos blocos modulares de maior resistência e retirarmos toda a estrutura reticulada de concreto armado! Pois bem, é isto, em poucas palavras, a ALVENARIA ESTRUTURAL. As fotos abaixo mostram prédio (em execução e acabado) da Sispar Empreendimentos, São Paulo, onde vigas de transição e pilares também são em alvenaria estrutural.

    


Este sistema construtivo, permite a simultaneidade de etapas; pode dispensar integralmente as fôrmas; utiliza menos aço; permite acabamentos de menor espessura, face à precisão dimensional dos blocos utilizados; gera menos entulho; necessita de mão de obra menos diversificada; oferece mais segurança ao operário, que trabalha sempre por dentro da construção, entre outras vantagens.

Como resultado, quando seguidos os preceitos básicos do sistema, tem-se uma construção que consome menos tempo e bem mais econômica. É mais uma interessante alternativa, tanto para obras de caráter social quanto para aquelas destinadas a classes mais abastadas, como pode-se verificar na foto abaixo (projeto do arquiteto Nivaldo Callegari de Jundiaí):



Vantagens:

Na Alvenaria Estrutural elimina-se a estrutura convencional, o que conduz a importante simplificação do processo construtivo, reduzindo etapas e mão-de-obra, com conseqüente redução do tempo de execução.

Quando de blocos, é possível a aplicação da técnica de coordenação modular, que implica em estabelecer todas as dimensões da obra como múltiplo da unidade básica. Dessa forma são evitados cortes, desperdícios e improvisações.

Os projetos complementares podem ser desenvolvidos na forma de 'Kits', montados e testados no canteiro de obras antes de sua instalação. Blocos e elementos especiais podem ser definidos e previamente preparados para posterior utilização.

Enfim, é possível desenvolver um sistema racionalizado que resulta na melhoria da qualidade do produto final e em significativa economia.

Fontes:

www.arq.ufsc.br
www.abcp.org.br
 

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